sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Chris John mantém cinturão dos penas da WBA


Campeão tira a invencibilidade de Enoki

O indonésio Chris John (42-0-1, 22 KOs) manteve seu cinturão dos penas da WBA (World Boxing Association) nesta sexta por decisão unânime ao bater o nipônico Hiroyuki Enoki (27-1-2, 19 KOs) em Tóquio.

John controlou a ação e recebeu a pontuação de 118-110, 118-110 e 117-111. Esta foi a primeira oportunidade do japonês à um título.

“Enoki foi um competidor duro, mas eu senti que peguei ele após o 5º round”, relatou John aos repórteres. “Eu estava em total controle da luta e os juízes concordaram”.

Enoki que perdeu sua invencibilidade em 30 lutas profissionais, respeita o vencedor: “Ele é um grande campeão. É forte, porém é muito cauteloso, me fez passar uma má impressão, mas eu dei o melhor de mim”.

Fontes: Associated Press / Reuters / ESPN.com


Foto: Chris John / Getty Images AFP

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Holyfield evita prisão por não pagar de pensão de filho


Das agências internacionais
Em Atlanta (EUA)



Ex-campeão mundial de boxe dos peso pesados, o norte-americano Evander Holyfield aceitou nesta quarta-feira, em um tribunal localizado no subúrbio de Atlanta (Estados Unidos), a cumprir com suas responsabilidades financeiras perante o seu filho de 10 anos - o lutador tem 11 filhos ao todo.

O lutador terá que depositar US$ 100 mil (cerca de R$ 238 mil) em uma conta bancária. O dinheiro servirá para pagar a faculdade do garoto no futuro.

Somado a isso, Holyfield consentiu a pagar outras despesas relacionadas aos estudos do menino. Ele também irá restabelecer o plano de saúde do filho e vai pagar US$ 4.500 (cerca de R$ 10,7 mil) para sanar os custos do advogado contratado pela mãe do jovem.

"A minha cliente ficou feliz porque não precisamos seguir a briga na Justiça", disse o advogado Randy Kessler. "Ela não queria em nenhum momento que ele fosse preso. Ela ficou feliz que o caso tenha sido resolvido", acrescentou Kessler, que ainda deu um puxão de orelha no boxeador.

"Enquanto Evander (Holyfield) e nós esperávamos sentados (pelo início da sessão), muitas pessoas foram condenadas a prisão por muito menos dinheiro do que ele deve", comentou.

Esta não é a primeira vez que o pugilista tem problema com a Justiça. Em julho, ele teve que pagar US$ 9 mil por atraso em outras pensões. Pai de 11 filhos, o atleta já sofreu com outras ex-esposas, tendo de ceder parte de suas economias após dois divórcios. Segundo o jornal norte-americano Atlanta Journal Constitution, o lutador desembolsa US$ 500 mil por ano em pensões para nove crianças.

Aos 46 anos, Evander Holyfield mora em uma mansão no Estado do Texas e somou mais de US$ 248 milhões em combate ao longo de sua carreira.

Fonte: UOL

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mexicano morre no ringue

Um pugilista mexicano morreu durante combate na última quarta-feira. Daniel Aguillón, de 24 anos, faleceu em conseqüência de golpes levados na cabeça na última quinta-feira, quando enfrentou o compatriota Alejandro Sanabria, na Cidade do México.

O combate foi válido pelo cinturão dos pesos super-penas da Federação Caribenha de Boxe. Segundo fontes do hospital em que foi internado após a luta, em que perdeu por nocaute no 12º e último assalto, o pugilista teve sua morte declarada, dias depois de já ter perdido a atividade cerebral.

Durante o combate, Aguillón recebeu um golpe no maxilar com força no 12º round que o levou à lona já inconsciente. O pugilista foi encaminhado de prontidão para um hospital próximo, e teve diagnosticado um edema cerebral. Apesar de passar por cirurgia, o mexicano não conseguiu superar a lesão.

O secretário geral Daniel Sulaiman do Conselho Mundial de Boxe afirma que o ocorrido foi um acidente e completa: "A disputa foi financiada pela WBC então é nossa responsabilidade que sua família não passe por necessidades. A WBC, promotores e outras pessoas envolvidas com o boxe doaram dinheiro para os familiares". Aguillón possuía 20 lutas em seu cartel, sendo que venceu 15 delas (nove nocautes), com três derrotas e dois empates.

Fonte: Associated Press - Cidade do México

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Juvenis viajam dia 24 para mundial em Guadalajara

Equipe juvenil busca medalhas no México

A seleção brasileira juvenil embarcará na sexta-feira, dia 24, para o Campeonato Mundial de Boxe Juvenil que se realizará em Guadalajara, México, de 25 de outubro a 1º de novembro.


Segundo a AIBA Associação Internacional de Boxe, 68 países enviaram inscrições indicando o nível de disputa da competição.


Delegação

A delegação brasileira no campeonato é a seguinte:

Atletas:

48 kg – Rodrigo Bentes (DF)

51 kg – Adauto Santos (PA)

54 kg – Marcelo Santos (PA)

57 kg – Luis Santana (DF)

60 kg – Jeferson Silva (PA)

69 kg – Michel Borges (RJ)

75 kg – Felipe Nunes (SP)

Técnicos: Gabriel Oliveira (DF) e Leandro “Zulu” Braga (RJ)

Árbitro: Jones Kennedy

Chefe de Equipe: Otílio Olivé Toledo

Fonte: CBboxe

domingo, 19 de outubro de 2008

Hopkins tratoriza Pavlik


Quarentão dá aula de boxe para oponente mais jovem e acaba com sua invencibilidade

“Eu acho que essa foi minha melhor performance, melhor que contra (Felix) Trinidad, melhor que conta (Antonio) Tarver, melhor que contra Oscar (De La Hoya), melhor que minhas 20 defesas consecutivas”, concluiu Bernard Hopkins para a ESPN estadunidense. Após sua vitória sobre Kelly Pavlik no Boardwalk Hall, em Atlantic City na madrugada de sábado.

E claro que ele “agradece” a mídia: “90% da mídia deu favoritismo à Pavlik. Eu sempre gostei de negativistas, me sinto motivado quando vão contra mim” concluiu o pugilista que abateu o oponente por decisão unânime. As papeletas apontaram 119-106, 118-108 e 117-109, sendo que B-Hop, como é conhecido o vencedor, teve um ponto reduzido por exceder nos clinches.

No quadrilátero o vitorioso fez jus ao seu outro apelido: “The Executioner” (O Executor), e não deu chances a Pavlik, o “Fantasma de Youngstown” – sua cidade natal- . Os golpes certeiros e velozes ditaram o ritmo do baile que só foi interrompido brevemente no 8º giro quando o lutador mais jovem decidiu empregar a estratégia de pressionar o agressor.

Hopkins acostumado a lutar entre os meio-pesados teve vantagem da pegada sobre um homem que é campeão dos médios (WBC e WBO), sua esquiva também estava apurada e o fez evitar ou diminuir os danos causados por muitos golpes.

O fator idade que era apontado como um ponto negativo não pesou nos 12 rounds, sua preparação física estava acima da média, qualquer uma não apenas a de sua idade, e a experiência contou muito no embate.

Hopkins neutralizou Pavlik de tal maneira que este não conseguiu impor seu jab para então usar sua mais eficiente arma, a combinação de dois golpes na seqüência. Com essa o veterano acaba com a invencibilidade de Pavlik que cai para 34-1, 30 KOs e sobe para 49-5, 32 KOs e também se redime da última apresentação, uma derrota para o britânico Joe Calzaghe (45-0, 32 KOs) campeão dos super-médios pela WBA, WBO e WBC.

“Eu acho que Hopkins fez uma grande luta. Estar com 43 anos e se movimentar no ringue daquele jeito... Ele boxeou melhor, foi mais rápido e pensou mais rápido que Pavlik a luta inteira. Ele parecia estar se divertindo lá. Em certo ponto esperava que ele fizesse a dança de Ali” avalia “Sugar” Shane Mosley (45-5, 38 KOs) à ESPN. O pugilista e colega de Hopkins na Golden Boy Promotions, empresa de Oscar de La Hoya que promove encontros da nobre arte.

No final do combate Hopkins foi para as cordas e gritou para a imprensa: “Estou cansado de provar meu valor”. Com esse desempenho o fã pode esperar mais uns 3 ou 4 anos de alta atividade para B-Hop.

Foto: Hopkins (esq) bate Pavlik – Jeff Zelevansky/Getty Images
Fonte: ESPN.COM – Tim Smith


Melhores momentos de Bernard Hopkins

sábado, 18 de outubro de 2008

Argentina acaba com sonho de Rosilete


Brasileira perde por decisão unânime


Em luta realizada ontem em Córdoba na Argentina válida pelo cinturão dos pesos pena (até 53 kg) da World Boxing Association, a pugilista local Marcela Carolina Gutierrez Gaite bateu por decisão unânime a brasileira Rosilete Santos. Gaite sobe para 15 vitórias, sendo 11 nocautes e apenas 1 derrota, enquanto a rival marca 4 revezes e 12 conquistas, 9 pela via rápida.

A lutadora do Paraná é a primeira mulher nascida no Brasil a conquistar um cinturão mundial, peso galo versão da World Boxing Commission e a segunda representando o país, a primeira é Duda Yankovich (11-0, 5 KOs) detentora do cinturão super leves da WIBA (Women's International Boxing Association, Associação Internacional de Boxe Feminino).

Em outra disputa por coroa em maio Rosilete também não obteve sucesso, foi batida pela bielo-russa e número um do ranking das super-moscas Alesia Graf em Stuttgart, Alemanha. O árbitro interrompeu o combate no 5º assalto por nocaute técnico, a previsão era de 10 giros.

Foto: Boxrec - Imagem de Arquivo

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Brasileira busca 2º cinturão mundial hoje


Anônima no próprio país, Rosilete Santos faz luta contra argentina

Rosilete Santos luta hoje à noite pela coroa interina dos super moscas (até 52kg) da WBA (World Boxing Association) contra Carolina Marcela Gutierrez (14-1, 11 KOs) que luta em seu país, na cidade de Córdoba, Argentina. No mês passado Rosilete Santos, 33, adquiriu o cinturão dos galos (até 54kg) da WBC (World Boxing Comission - Comissão Mundial de Boxe) ao bater Paula Montero (6-1, 4 KOs) no Paraná, sua terra natal.

Rosilete e seu treinador e também seu marido, Macaris do Livramento, possuem pouca informação sobre a adversária, o que pode dificultar a sua atuação, porém a paranaense espera uma vitória por nocaute. Rosilete tem 9 conquistas pela via rápida em suas 12 vitórias e três derrotas. A perca de peso se foi feita de maneira errada pode atrapalhar a luta, entretanto, se conduzida corretamente a dará a vantagem de estar acostumada a bater em rivais mais pesadas.

Junto com ambos segue seu “amuleto da sorte”, a pequena Nicoly de apenas um ano. As despesas da viagem e do evento foram pagas pelos patrocinadores e é esperado o público de 8 mil fãs para prestigiar a pugilista local. Quando lutou em Curitiba contra Paula Monteiro no Ginásio Ney Braga em São José dos Pinhais a campeã dos galos da WBC chegou a desembolsar R$ 30 mil.

Em caso de vitória, Livramento que também é presidente da Federação Paranaense de Boxe (FPB) anuncia o desfile em carro aberto por Curitiba.

Pouca Mídia

Por culpa da pouca atenção dada pela mídia, inclusive o Córner do Leão, Rosilete quase passa desapercebida em território nacional com exceção do estado paranaense. Caso fosse fruto de um marketing e dona da aparência vista em revistas masculinas eu pergunto à você leitor:

Será que não teríamos ouvido falar da primeira boxeadora nascida no Brasil dona de um cinturão mundial?

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo


Rosilete se prepara para enfrentar Alesia Graf - Globo Esporte

Hazegawa defende cinturão pela 3º vez no ano


Campeão dos galos nocauteia rival mexicano

Lutando em Tóquio, o japonês Hozumi Hasegawa derrotou Alejandro Valdez do México por nocaute técnico no segundo round na quinta-feira dia 17 de outubro.

Foi a sétima defesa de cinturão do campeão dos galos da WBC que dominou desde o começo o oponente e o jogou na lona com um gancho de esquerda faltando um minuto para o intervalo.

Valdez se levantou, porém o árbitro Mike Griffin interrompeu o combate após Hasegawa desferir uma seqüência contra a cabeça do desafiante.

“Eu não esperava que fosse terminar com um nocaute”, falou Hasegawa. “Pensei que fosse para a decisão, então estou muito satisfeito”. Já é sua terceira defesa de título neste ano.

Hasegawa agora conta com um cartel de 25 vitórias, 9 nocautes e 2 derrotas e Valdez tem 21-3-1.

Nas preliminares o campeão peso pena da WBC (World Boxing Council) Oscar Larios do México reteve seu boldrié ao bater por decisão dividida o desafiante local Takahiro Aoh. 2 papeletas indicaram 115-111 e 114-112 por Larios, enquanto a terceira mostrou 114-112 pelo japonês.

Larios segue com 63-6-1 com 39 KOs) e Aoh baixa para 16-1-1.

Foto: Hozumi Hasegawa batendo o desafiante Simone Maludrottu em Janeiro de 2008 - Kyodo News / AP

Fonte: Associated Press


Hozumi Hasegawa (Campeão Galo WBC) X Gerardo Martinez - 25/09/2005

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O boxe é uma analogia da vida


Para a intelectual Joyce Carol Oates, autora do livro "O Boxe" e vencedora de diversos prêmios Pullitzer, o pugilismo é uma metáfora da vida, em seu texto ela também concluí que o esporte está mais próximo de um acidente de trânsito do que para o lúdico visto em jogos de vôlei e futebol.

No ringue são visíveis aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos e para comparar a relação do boxe como um espelho da sociedade usarei alguns atletas como exemplo:

Jack Johnson foi o primeiro campeão mundial de boxe negro, seu reinado foi de 1908 até 1915. Saia com garotas brancas, gostava de carros velozes e festas, era o tipo de negro que os E.U.A não queriam. O antigo detentor do cinturão, o canadense Tommy Burns passou a ser visto como uma anomalia pelos brancos, pois para eles o lutador desgraçou sua raça.

A sociedade prendeu Jack por transportar uma branca de um estado para o outro, o que era proibido por lei, mas na verdade moça era sua esposa. Anos mais tarde, em 1946 para ser exato, o atleta morreu em um acidente automobilístico.

A história de Johnson mostra a raiz do racismo estadunidense e sobre essa situação uma frase lhe é atribuída: "Eles nunca me deixaram esquecer que sou negro, agora eu nunca deixarei que eles esqueçam que sou negro."

Em 1929 a terra de George Washington sofreu com a Quinta-feira negra, dia que marcou o Crash da bolsa de valores em 1929, o que veio após foi uma pobreza que parecia prestes a subjugar aquela que se tornaria a nação mais potente do mundo. Nesse cenário de larga pobreza surgiu o herói da classe trabalhadora, James. J. Braddock, o “Homem-Cinderela”.

O apelido lhe foi dado por um jornalista da época em razão do conto de fadas vivido pelo descendente de irlandeses que contava com mais de 20 derrotas em seu cartel e estava no limbo do esporte, porém mesmo assim obteve sua chance e derrotou o campeão Max Baer.

Joe Louis, o "Bombardeiro Marrom", foi o segundo negro detentor do boldrié mundial (1935-1949). Após Johnson perder o título para Jess Willard em 1915, a comissão esportiva criou políticas para que um negro nunca colocasse as mãos no título. James J. Braddock, o "Homem Cinderela" aceitou lutar contra o jovem de Louisville e com cláusula se caso o desafiante o derrotasse ele ter uma porcentagem de sua bolsa em todas as lutas.

27 anos após o reinado de um negro o Bombardeiro tem o direito de mostrar que não existe diferença de raças. Louis tinha que ser sempre bonzinho em público e para isso tinha diversas regras de conduta estabelecidas pela sua assessoria, entre elas nunca sair em fotos com mulheres brancas. Seu comportamento "exemplar" o fez ser respeitado até entre os racistas do sul estadunidense, entretanto, seu fiel séquito sempre foram os negros ainda segregados pelas leis estadunidenses.

A década de 60 ficou conhecida pelas ideologias, um período de hippies, guerra fria, movimento dos direitos civis e foi nela que Muhammad Ali iniciou sua trajetória. Ali antes chamado Cassius Clay possuiu três reinados entre a década de 60 e a de 70. “O Maior de Todos” como gosta de ser chamado defendia não só a segregação racial, mas também a soberania dos negros e isso incomodou demais a sua sociedade, com os anos ele abandonaria essas idéias, mas ainda continua um ícone para a raça negra e um porta-voz da humanidade.
Seus adversários eram vistos pela sociedade como capitães do mato que caçavam o negro fujão, ou esperanças brancas prontas para devolver o título de homem mais forte para os brancos.

Ali deu expressão para os negros e com o tempo passou a ser respeitado como um verdadeiro herói americano sendo retratado em filmes, livros, músicas, artes plásticas... tornou-se um símbolo cultural e histórico.

Mike Tyson mostra as mudanças vividas nas décadas de 80 e 90, tudo passou a ser rápido, a cultura do "fast food" e o estilo estético da MTV que preza o imediatismo conquistou os meios de comunicação e depois o estilo de vida americano que influencia o de diversas nações no mundo.

Qual a relação de Tyson com o imediatismo? Bom os fãs de Tyson querem tudo rápido, e se tem algo que ele fazia bem era entregar um nocaute na hora certa para eles.

Com o final da guerra do Vietnã o mundo ficou menos romântico, a ingenuidade foi quebrada e os heróis perderam o apelo. Basta ver que Wolverine atraí muito mais fãs que o Capitão América. Todas essas mudanças refletem em como Tyson pode ser admirado, um anti-herói.

E hoje qual campeão é a cara do período no qual vivemos tão segmentado e desunido. O nosso período não tem um grande campeão, mas sim vários em algumas oportunidades até quatro e outros chamados de interinos. O mundo hoje é confuso e difuso assim como o “quem é quem” do esporte de luvas.

Foto: Muhammad Ali e Joe Louis

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Entrevista com diretores do documentário Boxeduto

"A intenção é mostrar como, apenas com um espaço, uma idéia na cabeça e um pouco de ajuda é possível proporcionar um pouco mais a quem quase nada tem."

O documentário Boxeduto apresenta o pugilismo como meio de inclusão social, o cenário é a já famosa academia de Nilson Garrido embaixo do Viaduto Do Café na Bela Vista, bairro da capital paulista. Os personagens apresentados variam desde a garota sem lar que encontra abrigo no local até o pugilista que sonha com uma coroa mundial.

Os realizadores são Maurício Dehò e Carolina Lomelino, ambos formados pela PUC de São Paulo no ano passado. A obra foi o trabalho de conclusão de curso da dupla. Em entrevista ao Córner do Leão eles relatam como foi filmar essa experiência.

Como surgiu a idéia de filmar na academia de Nilson Garrido?

Maurício: A escolha por um tema voltado a projetos e causas sociais já era uma certeza como objetivo para nosso Trabalho de Conclusão de Curso. Queríamos achar algo que mostrasse uma ação simples, porém efetiva, que realmente estivesse tentando melhorar a crítica situação do país.
No fim de 2006, uma idéia surgiu a partir de uma experiência profissional de Maurício, que trabalha no Diário Lance!. Ele conheceu o projeto de Nilson Garrido ao escrever – junto ao repórter Paulo Roberto Conde – uma matéria sobre a iniciativa, publicada pela Revista A+, do grupo Lance! (Número 325, de 2 a 8 de Dezembro de 2006 – ANEXO 1). Consideramos ser o tema ideal que procurávamos para ser retratado em nosso documentário.

Qual é a proposta do filme?

Maurício: A intenção é mostrar como, apenas com um espaço, uma idéia na cabeça e um pouco de ajuda é possível proporcionar um pouco mais a quem quase nada tem. Ou, aos que não passam por estas dificuldades, terem a oportunidade de buscar uma ligação com o outro, identificando-se nesse novo contexto com o qual, a princípio, teriam muito pouco em comum. É também uma chance de mostrar que é preciso pouco para que as pessoas possam superar suas dificuldades e como o apoio um nos outros consegue vencer os maiores obstáculos.

Como se deu a escolha dos personagens centrais?

Maurício: Desde o começo já possuíamos em mente que gostaríamos de mostrar por meio dos personagens essa grande diversidade que há no projeto. O Maurício ao fazer uma matéria para o Lance! conheceu o Carlos e Jack, que já demonstravam grande parte dessa variedade. Como também havia mulheres no local, tomamos como princípio que uma delas também deveria fazer parte. A Rebeca foi uma indicação do Garrido, que acatamos por causa de sua história que a obrigou morar em uma das sedes do Projeto.

Qual é a importância desse tipo de projeto?

Carolina: Acreditamos que sejam realmente muito importantes. Se não fosse por esses pequenos projetos que tomam em suas mãos as de nossos governadores, sem dúvida nenhuma, estaríamos em uma situação bem pior da qual nos encontramos.
São esses projetos que quebram as barreiras e conseguem aos poucos mudar essa visão individualista que possuímos atualmente, além, é claro, de ajudar de diferentes modos a população carente a se reestruturar e voltar a fazer parte da sociedade.

Qual é o panorama do boxe atual?

Maurício: O boxe atual vive um momento muito difícil. Além de nunca ter tido uma estrutura boa e um respeito perante a sociedade, a falta de campeões faz muita diferença. Desde que Popó deixou de ser campeão mundial e Sertão perdeu seu cinturão de uma maneira muito triste, com hepatite, ninguém mais se destacou e parece difícil que isso aconteça, a não ser que parta de talentos individuais apenas.

Qual seu filme de boxe predileto?

Maurício: Além da série Rocky, que teve um papel bastante importante para a divulgação do boxe na época do lançamento, outros tem histórias bem interessantes. Um dos melhores é "Homem Cinderela", um filme recente que traz a história de um pugilista da década de 20/30, que passou por dificuldades durante a crise de 1929, mas foi campeão mundial. Com o mesmo nome, o livro que se refere ao mesmo lutador - James J. Braddock – também é muito recomendado.

Como é ter o documentário exibido pela TV Cultura?

Carolina: É muito legal, ficamos muito agradecidos pela oportunidade e especialmente contentes por poder divulgar em maior escala o nosso trabalho, o de Nilson Garrido e de todos os componentes do Projeto Cora-Garrido.
Maurício: É uma chance ótima de fazer um algo mais com o que poderia ser apenas um trabalho de faculdade e ainda mostrar nosso tema para o Brasil todo.

Boxeduto Parte 1



Boxeduto Parte 2



Boxeduto Parte 3

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Chad Dawson é novo campeão meio-médio da FIB


Dawson domina Tarver

Ex-detentor do cinturão da Confederação Mundial de Boxe, “Bad” Chad Dawson (27-0, 17 KOs) conquistou o bi-campeonato na categoria dos meio-médios ao superar Antonio Tarver (27-5, 19 KOs) pela coroa da FIB, que por sua vez é um ex-campeão. A disputa ocorreu sábado 11 de outubro em Las Vegas, Nevada nos E.U.A.


A decisão foi unânime após domínio total do primeiro na peleja e as papeletas marcaram 118-109 e 117-110 duas vezes à seu favor. Dawson fez o Mason “The Line” Dixon do filme Rocky Balboa (2006) parecer perdido e utilizou bem o contra-golpe para derrubá-lo no 12} round.

Agora Dawson quer oportunidades contra Kelly Pavlik, Bernard Hopkins e Joe Calzaghe.

Foto: Reuters

Vitali Klitschko derrota Samuel Peter e se torna campeão


Pugilista entra para história com a conquista além de ter o irmão também campeão dos pesados simultaneamente

No sábado, em Berlim na Alemanha, o ucraniano Vitali Klitschko (36-2-0, 35 KOs) superou o nigeriano Samuel Peter (30-2-0, 23 KOs) e conquistou novamente o cinturão da WBC dos pesos-pesados, após afastamento por grave lesão há três anos. O oponente não voltou para o nono round após um duro castigo e também não conseguiu utilizar dos seus potentes golpes – os mais fortes na categoria – é sua segunda derrota para um membro da família Klitschko, a primeira foi para o irmão mais novo: Wladimir, atual dono das coroas da IBF (Federação Internacional de Boxe) e WBO (Organização Mundial de Boxe).

O ucraniano hoje com 37 anos começou lento e se defendendo do campeão, estudando o adversário e aguardando o momento para o golpe certeiro. O melhor momento do africano surgiu numa série de socos de direita do oponente na qual ele aproveitou para surpreendê-lo com uma forte esquerda, porém não teve o resultado esperado.

Com a vitória sobre o “Pesadelo Nigeriano”, Vitali e Wladimir se tornam os primeiros irmãos a deter cinturões na mesma categoria na história do boxe. O empresário de ambos, Don King nega qualquer possibilidade de uma luta entre os dois para unificar o título.

Don King quer Klitschko x Lewis II

O polêmico empresário de boxe Don King que representa os irmãos ucranianos quer tirar o respeitado campeão do início da década Lennox Lewis (41-2-1, 41KOs) da aposentadoria para uma revanche contra Vitali Klitschko, o qual derrotou em sua luta de encerramento da carreira em 2003 por nocaute técnico em razão de um corte no sexto giro. A quantia oferecida foi de 25 milhões de libras (próximo de R$ 100 milhões).

Lewis hoje com 43 anos ficou famoso por ter batido nomes como Mike Tyson e Evander Holyfield além de ter no seu cartel vitórias sobre Ray Mercer, David Tua, François Botha, Shannon Briggs, Frank Bruno e Tommy Morrison – o Tommy Gunn do filme Rocky V.

Outro alvo dos Klistchko é o gigante russo Nikolay Valuev recém coroado como campeão interino da World Boxing Association ao superar John Ruiz em agosto. Mas antes de Lewis ou Valuev a dupla tem compromissos obrigatórios. Vitali deve encarar o cubano Juan Carlos Gomez, e Wladimir encara o invicto Alexander Povetkin, enquanto o golias russo tem um encontro com o campeão oficial da WBA Ruslan Chagaev colocado de lado por uma contusão.

Quem são os Klistchko?

Nadezhda Ulyanovna é outra que veta os dois no mesmo quadrilátero. Quem é ela pra ter essa autoridade? A mãe deles, pois assim como tantas outras não gostaria de ver seus filhos trocando golpes.

Ulyanovna é professora e o pai foi militar da Força Aérea soviética, a disciplina e a rigidez herdada pelo casal os levou a conquistas relevantes no mundo acadêmico. Vitali detêm um PhD em Ciências do Esporte adquirido em 2000 e logo no ano seguinte o mais novo, Wladimir fez o mesmo. A vitória nos ringues veio quando o primogenito se tornou campeão mundial em 1999 pela WBO sobre Herbie Hide e o caçula em 2000 em cima de Chris Byrd, em uma espécie de revanche já que o estadunidense tirou a coroa de seu irmão.

Antes do pugilismo Vitali tentou o kickboxing, mas percebeu que seu forte eram mesmo os punhos apesar de ter arrematado seis títulos no esporte. No “esporte dos meninos pobres” como é conhecido nos E.U.A, o campeão foi medalhista de prata no mundial de 1995, porém não seguiu para os Jogos Olímpicos de Atlanta e 1996 por causa de uma lesão. Wladimir foi ouro nos super-pesados da competição. Com as vitórias seguiram para a Alemanha, meca atual do esporte.

Além do boxe eles já fizeram cenas como dublês e até pontas em filmes como Onze Homens e Um Segredo, são donos de uma grife patrocinada pela Hugo Boss além de possuírem cargos na UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). A dupla gosta de esportes como xadrez, kitesurfe e golfe e ainda dominam as línguas alemã, inglesa, ucraniano e russo.

Os doutores do boxe fogem do estereotipo do animal descerebrado assim como o jovem Pat Glendon do conto O Bruto Insondável de Jack London.

Foto: Herbert Knosowski/AP

Klistchko x Peter - 2008
Samuel Peter abandona

sábado, 11 de outubro de 2008

Entrevista com Pedro Otas


Em fevereiro desse ano Pedro Otas conquistou o cinturão Latino-Americano Interino da OMB (Organização Mundial de Boxe) ao derrotar o argentino Hector Alfredo Ávila (16-8-1) com essa conquista adicionou mais uma boa apresentação num cartel de 17 vitórias e 15 nocautes.

Sua vida nem sempre teve passagens alegres como a de todos os grandes nomes do boxe e em entrevista Otas revela quais causas o levaram a usar doping em sua preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2003. O pugilista também fala de sua recente conquista e de planos para o futuro como cruzador em cima dos ringues.

Anteriormente você era um peso-pesado e agora atua na categoria dos cruzados. Como avalia essa mudança?

Após 2 anos sem competir retornei ao boxe em 2002 e já na categoria máxima. Na época ainda amador conquistei todos os torneios disputados no país inclusive os de seletiva para os Jogos Pan-Americanos (Santo Domingo 2003) e Olímpicos (Atenas 2004). Me tornei profissional em 2004 chegando a primeiro do ranking brasileiro dos pesados fazendo um total de 14 lutas invictas todas por nocaute. Sou dirigido por uma equipe competente na qual decidiram pela mudança de pesado para cruzador. Respeito a decisão do grupo.

Você sofreu uma intervenção cirúrgica em uma das mãos. O que ocorreu?

Infelizmente minha carreira até agora foi marcada por muitas lesões e talvez um dos principais motivos fora a má orientação que tive no meu início dela. Sempre sonhei com uma total recuperação e acredito que hoje isso seja realidade. Agradeço a equipe médica que tratou com muito carinho e profissionalismo o meu caso, em especial ao Dr. José Carlos Garcia no qual encontrei um grande amigo.

Você hoje é o numero 1 do ranking brasileiro pela C.N.B. (Conselho Nacional de Boxe) e o título desta entidade está vago, enquanto pela C.B.B. (Confederação Brasileira de Boxe) você também é o primeiro, entretanto, o campeão é Laudelino Barros. Quando pretende lutar por esses cinturões?

Vejo dois grandes adversários nesta categoria os quais gostaria muito de enfrentar pelo titulo nacional, um deles é o paranaense Edson Foreman o outro é Laudelino Barros. Tenho certeza que venço os dois e unifico o título das duas entidades.

Sabemos que houve por parte da sua equipe o interesse em colocá-lo frente a esses dois adversários. Porque essas lutas não aconteceram?

Sinceramente... Eu acredito que eles devem me achar feio demais (risos).

Quando pesado, muitos acreditavam que você fosse o único a tirar o cinturão de George Arias quebrando sua hegemonia de quase 10 anos frente ao boldrié brasileiro. O que faltou para que esta tão esperada disputa ocorresse?

Acho que para um confronto deste nível acontecer é preciso ter o acerto financeiro e que ambos atletas estejam confiantes sobre suas condições físicas e mentais. Sempre quis ter a chance de enfrentar Arias, lutador pelo qual sempre tive admiração e respeito. Fizemos contato, mas na época não houve interesse da parte de sua equipe. Já quando eles nos procuraram para acertar os detalhes da luta pelo título, minhas condições é que não eram favoráveis. Mas acredito que ainda teremos a chance de nos enfrentar em um grande evento televisionado para todo o Brasil.

Hoje você está entre os 15 maiores cruzadores de acordo com a Organização Mundial de Boxe. Quais são suas chances contra os outros catorze? Pensa em enfrentar algum deles?

Sim! Ocupo a 13ª colocação após conquistar o título Latino-Americano Interino pela W.B.O (Organização Mundial de Boxe). Como pretendo chegar à coroa mundial, tenho chances de vencer qualquer um, mas sei que preciso melhorar muito e no estágio que me encontro sei que é importantíssimo dar um passo de cada vez enfrentando o 12º depois o 11º e assim sucessivamente.

O que você achou do desempenho da seleção olímpica nos Jogos de Pequim? E o que falta para uma tão sonhada medalha?

A Confederação Brasileira recebe muita grana anualmente, mas eu que já fiz parte da seleção nacional treinando e morando no centro de treinamento sei que é realmente complicado as condições dos atletas por lá. Percebi dirigentes abrindo empresas, andando de carro importado... Esquisito, né?
Temos muitos talentos, mas pouca gente idônea no comando. É isso que falta pra muitas medalhas aparecerem.

Na sua experiência como amador foi encontrado em 2003 em seu corpo uma alteração na relação entre epistosterona-testosterona que caracteriza o uso de esteróides anabólicos. O que o levou a recorrer ao doping?

Infelizmente foi fato. Meu pai estava doente de câncer e acumulamos diversas dívidas devido ao tratamento, eu estava com uma ruptura no ombro e precisava me recuperar a tempo para a competição seguinte, o prêmio pago em dinheiro ajudaria a saudar parte da divida. Estava desesperado, então um veterano na área da musculação que trabalhava na academia em que eu dava aulas de boxe me indicou um tal coquetel que recuperaria a musculatura lesionada em poucas semanas me deixando apto para lutar. Não sabia que aquilo era ilegal, juro!

Fui julgado e condenado, mas é difícil pensar quando o risco atingiu meu pai e minha família. E por eles eu faria tudo.

Seu irmão Gustavo Otas está prestes a se profissionalizar. O que podemos esperar dele?

Meu irmão é um grande talento e já provou isso como amador conquistando grandes titulos em 4 categorias diferentes. Acredito que como profissional ele deva atuar entre os super-médios (76,6 kg) ou meio-pesado (79,750kg). Eu e minha equipe temos muita fé no sucesso dele!

Um grande abraço a todos!


Foto: Pedro Otas campeão Latino-Americano Interino OMB

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Seletiva Korea Fight 1

Seletiva Korea Fight 1

Competição promete levar vencedor de GP para a Coréia do Sul

A cidade de Seoul que já foi palco de Jogos Olímpicos na década de 80 e agora se prepara para receber o melhor brasileiro que se destacar na seletiva do Korea Fight a ser realizada dia 29 de novembro na Baixada Santista organizada pela Major Agents.

As disputas serão no formato Grand Prix nas categorias até 70 kg, até 80kg, até 90kg e acima de 90kg. As chaves contarão com 4 participantes. A agência sul coreana Major Agents pretende levar entre 8 à 16 atletas para o seu país selecionados em 8 eventos. Para entrarem no ringue os lutadores ganham R$ 250,00 com bonificação de R$ 500,00 para o vice e R$ 1.500,00 para o campeão.

Para participar o interessado deve mandar seu portifólio em DVD para a Confederação Brasileira de Lutas Submission CBLS aos cuidados de Roberto Trindade até sexta-feira dia 2 de outubro.

Contato:
João Roberto Trindade
Fone: (011) 7879-9625
Nextel: ID 84*109343
Avenida Padre Vicente Melilo, nº 615, apto 11
CEP 03026-010

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"Eu só quero a minha chance"




30 anos, 12 dedicados ao boxe e dentro desses quatro no profissionalismo. “Minha mão está fraturada em várias partes”. As cicatrizes da cirurgia comprovam a veracidade da declaração. “Estou com uma equipe médica legal, antes eu estava com risco de pegar uma osteoporose nelas”. Para os pugilistas caso a mão esteja danificada além do reparo é o fim da carreira, qualquer pessoa mesmo os que não acompanham o esporte podem chegar à esse raciocínio, Pedro Otas reflete sobre essa idéia enquanto almoça no centro da cidade de São Paulo.

A conquista do cinturão latino interino da Organização Mundial de Boxe em fevereiro o coloca entre os quinze melhores da liga, “e olha, mesmo assim não tenho uma bolsa milionária” explica o rapaz que conclui: “como vou fazer um pé de meia”. O boldrié se deu na categoria dos cruzados. Hoje o atleta se apresenta mais ‘seco’, com os músculos mais a vista, diferente de sua forma como peso-pesado com mais gordura distribuida entre tronco e cabeça. “Eu sou baixo para ser pesado”, o novo corpo faz mais juz ao nome Pedro que vem de pedra.

Sua fala é pausada, diferente de outros pugilistas que por não terem se encontrado no mundo tentam seguir a orátoria de Muhammad Ali, mas tropeçam num português mal falado. A cabeça calva mostra que não é mais o adolescente com muitos erros no passado. “É uma besteira que fiz e não dá para apagar, antes eu bati muito a cabeça e vejo que poderia ter ido muito mais além”.

Colhendo ou não suas atitudes do passado, o rapaz quer “apenas uma chance” para mostrar seu “sonho de devolver o boxe aos grandes centros e atrair o povo para ver as lutas, é onde deveríamos estar dentro do Brasil e não apanhando lá fora”. Atualmente dentro de um “período de 52 semanas em que os pugilistas cansaram de passar por check-ins em aeroportos internacionais, foram 62 derrotas no exterior contra nenhuma vitória!” afirmou o colunista da Gazeta Reinaldo Carreira no dia 11 de setembro deste ano.

Otas termina a refeição forte em proteínas e carboidratos e logo deixa o local, cumprimentando conhecidos. “As pessoas me fazem muitos favores. Muitos admiram lutadores por fazer aquilo que não tem coragem, você sabe disso porque também já lutou”. O rapaz taciturno some dentro do seu Palio cinza durante um breve período de sol na primavera invernal de São Paulo.


Foto: Zumbano x Otas - Showfight V - 09/11/2006 / GracieMag

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Lacy volta aos ringues


Estadunidense retorna ao tablado

Após se retirar dos ringues devido a corrupção no universo do pugilismo em julho, o estadunidense Jeff Lacy (24-1, 17 KOs) enfrentará o compatriota Jermain Taylor (27-2-1, 17 KOs) em 15 de novembro. O embate será uma eliminatória para o cinturão vago dos super-médios da CMB. A versão definitiva do mesmo será decidida entre o haitiano naturalizado no Canadá Jean Pascal (21-0, 14 KOs) e o britânico Carl Froch (23-0, 19 KOs).

Narváez chega perto de ídolo argentino

O pugilista Omar Andrés Narváez (28-0-2, 17 KOs) concluiu 14 defesas do cinturão mundial dos moscas pela OMB ao derrotar Alejandro Hernandez (20-6-1, 9 KOs) no último sábado. A marca o iguala ao maior ídolo do país no esporte de luvas, Carlos Monzón que na década de 70 defendeu o mesmo número de vezes o boldrié dos médios da AMB.


Aposentadoria como jogada de marketing

O recurso de usar a aposentadoria como uma jogada de marketing é um dos mais peculiares dentro do showbizz tanto que diversos atletas e personalidades do entretenimento usam dele.

Bandas de rock fazem esse movimento à exaustão. Sempre tem aquela pergunta no ar: “Mas ele não tinham parado”, e então voltam cobrando mais por uma turnê que dizem ser a última, porém se torna interminável.

Dentro do esporte é uma manobra para aumentar o cachê do atleta e mantê-lo na mídia. Se Lacy estava cansado da sujeira envolvendo o jogo, parece não ter cansado do dinheiro que corre nele.

Foto: Lacy após combate contra Robin Reid / BBC

domingo, 21 de setembro de 2008

Muhammad Ali em São Paulo


Exposição de fotos traz o Maior de Todos

Desde o dia 07 de setembro, a série de fotografias de Muhammad Ali feitas pelo celebrado alemão Thomas Hoepker estão na galeria Paparazzi em São Paulo. As imagens de 1966 foram tiradas no auge da carreira do pugilista.

As fotos mostram Ali em treinos e também em momentos de descontração que evidenciam o seu carisma e sua posição no coração dos fãs. O fotógrafo tem mais de 50 anos de carreira e é membro há 35 da agência Magnum, uma das maiores do mercado.

MUHAMMAD ALI POR THOMAS HOEPKER
Galeria Paparazzi
Av. Pedroso de Moraes, 100, Pinheiros, São Paulo
de 7/09 a 8/11
entrada franca

Foto: Muhammad Ali por Thomas Hoepker - 1966

Muhammad Ali x Cleveland Willians - 1966



Apresentação considerada ápice de Muhammad Ali pelos especialistas

domingo, 14 de setembro de 2008

Marquez e Forrest vencem


Ambos derrotam adversários reconhecidos

Casamayor sofre o primeiro nocaute

Em combate efetuado no MGM Grand Garden de Las Vegas, o cubano Joel Casamayor (36-4-1, 22 KO’s) foi superado pelo mexicano Juan Manuel Marquez (49-4-1, 36 KO’s) dentro da categoria dos leves. O lutador da ilha foi nocauteado pela primeira vez ao 11º assalto.

A peleja foi muito equilibrada e terminou com um cruzado de direita no queixo de Casamayor que foi pego sem guarda após executar um soco direto e sair do clinch. Agora o provável próximo passo de Marquez será encarar o filipino Manny Pacquiao, um dos melhores independente de peso, após seu próprio promotor Oscar De La Hoya subir no ringue contra o “Pac-Man”.

Sergio Mora é atropelado por Forrest

O vencedor da primeira temporada do reality show Contender Sergio Mora (21-1-1, 5KO’s) subiu no ringue como campeão dos médio-ligeiros CMB e deixou o cinturão para o superior Vernon Forrest (41-3, 29KO’s) por decisão unânime.

As papeletas dos árbitros indicaram 118-109, 117-110 e 119-108. Enquanto Mora até tentou umas brincadeiras no tablado Forrest foi mais preciso e quase o levou a lona. No termino do combate o campeão sentindo a derrota por pontos avança, mas não é muito eficaz contra um oponente mais forte e mais ágil, mesmo fora de seu auge.

Campbell tem defesa adiada

O pugilista dominicano Joan Guzman (28-0, 17 KO’s) não atingiu o limite de peso de 61,2 kg e ficou fora da contenda pelos cinturões da AMB, OMB e FIB em poder do estadunidense Nate Campbell.

No dia anterior ambos não atingiram a pesagem oficial na primeira tentativa, porém o campeão precisou de apenas meia hora para chegar no peso. O dominicano após não conseguir com duas horas de tempo não retornou ao local.

Ficou decidido que subiriam ao ringue sem valer os boldriés, porém Guzman após um tratamento para perda do peso que sobrava sentiu desidratação e optou por não lutar, já que não estava em suas melhores condições.

Com isso o atleta por complicar sua situação com os organizadores e responsáveis por não tê-los avisados com antecedência. A luta principal em Biloxi, nos E.U.A passou a ser entre o campeão dos super-leves CMB Timothy Bradley (23-0, 11 KO’s) e Edner Cherry (24-6-2, 12 KO’s) das Bahamas derrotado por decisão unânime com o placar de 117-110, 118-109 e 119-109.

Brasileiro no ringue

Ratinho empata com letão

O campeão brasileiro dos super-médios pelo CNB Marcus Vinícius de Oliveira, o “Ratinho” (15-0-1, 14 KO’s) empatou contra o letão Jurijs Boreiko (15-14-1, 10 KO’s) em embate feito na Alemanha na última sexta-feira. Como lutava fora de seu continente a esperança de Ratinho era nocautear o adversário.

Foto: Juan Manuel Marquez / Ethan Miller - Getty Images

domingo, 7 de setembro de 2008

Letícia Rojo luta no Uruguai

Atleta nacional enfrenta campeã mundial




“Minha estratégia é ganhar, estou treinando e me dedicando muito para isso. Sei que não será fácil derrotar a Chris no país dela. Apenas nocauteando mesmo”, a pugilista brasileira Letícia Rojo (3-3-0, 2 KO’s) se prepara para enfrentar a uruguaia Chris Namus (6-0-0, 1 KO’s) no dia 13 de setembro em Montevidéu. “Então irei subir no ringue com esse objetivo e com essa determinação” afirma a paulista.

A ex-aluna de Belocqua hoje treina com o campeão mundial Miguel de Oliveira e Douglas Lopes e se encontra em total sincronia com ambos, fazendo sessões de sparring e depois as gravando para avaliarem e corrigirem seus defeitos. Corre 10 km todos os dias “para manter uma boa movimentação de perna durante a luta”.

Há dois anos enfrentou outra adversária internacional, a argentina Gabriela Marcela Zapata. Dessa experiência revela que ganhou mais vivência de ringue, malícia e confiança. Mas sobre a diferença entre ambas atletas Rojo pontua: “as duas têm estilos completamente diferentes. A Gabriela foi mais técnica e me respeitou muito durante o combate, enquanto, pelo vídeo que assisti da Chris, ela é mais agressiva e vem pra cima o tempo todo”. Outro fator que percebeu foi a diferença de tamanho, pela primeira vez enfrentará uma boxeadora mais alta.

Namus é conhecida pela alcunha de Bombon Asesino (Bombom Assassino) e detém o cinturão mundial da WIBA, Associação Internacional de Boxe Feminino, na categoria super-leve.

Quanto a possibilidade de disputar um título nacional ou internacional Rojo explica que “estava tudo certo para disputar o Sul-Americano dia 7 de setembro no (Cassino) Conrad em Punta Del Leste”, entretanto, o acordo não foi fechado entre as partes e sua equipe espera oportunidades melhores em breve.

Foto: Pôster do combate

sábado, 6 de setembro de 2008

Peter Venâncio se aposenta


O Brasil deve um cinturão mundial à Peter Venâncio

Aos 44 anos de idade e 18 de esporte, o pugilista Peter Venâncio decidiu deixar o quadrilátero. Em suas duas últimas apresentações contra o italiano Silvio Branco (57-9-2, 34KO´s) e o polonês invicto Aleksy Kuziemsky (13, 2KO´s), sofreu revezes.

Contra os "hermanos" Hugo Hernan Garay e Jorge Fernando Castro, também encontrou a derrota. Sua chance foi quase conquistada contra William Joppy, em 1997, pelo cinturão dos médios da Associação Mundial de Boxe. A luta foi equilibrada e alguns acreditam que a vitória foi do brasileiro, porém ela foi realizada na casa do oponente, o que o favorece.

Uma de suas principais vitórias foi tirar a invencibilidade de Marinho Soares e capturar o cinturão latino do Conselho Mundial de Boxe em 2005. Com a superação sobre Soares e a apresentação pela coroa da AMB, fica claro que Peter Venâncio sofreu com a falta de apoio no pugilismo.

Falta de suporte financeiro por parte de patrocinadores, falta de mídia para a divulgação do seu esporte e tantas outras faltas que o tornam em vítima e não culpado por nunca ter conquistado o cinturão mundial. Peter Venâncio é um rei sem coroa.

Foto: Venâncio em seu pôster de combate contra Marinho Soares

domingo, 31 de agosto de 2008

Brasileiros perdem na gringa

John Anderson e Juliano Ramos são batidos em território estrangeiro

O brasileiro John Anderson (18-4, 11KO’s) e seu compatriota Juliano Ramos (15-2, 12 KO’s) sofreram revezes em suas aventuras internacionais. O primeiro caiu nos pontos após 12 rounds de luta contra o campeão inter-continental da Organização Mundial de Boxe Sebastian Zbik (24-0, 9KO’s) na Alemanha, sexta-feira.

Ramos teve um azar maior e acabou vítima de um nocaute no sexto giro para o estadunidense Mike Jones (15-0, 13KO’s). após forte golpe no fígado. A luta foi feita na terra natal de “Smokin’” Joe Frazier e Rocky Balboa, Filadélfia, Estados Unidos, também na sexta-feira.

Diferente de muitos pugilistas nacionais que saem do país para serem buchas de canhão principalmente em países da América Latina, Ramos e Anderson são dois atletas sérios, porém como tantos outros do nosso país sofrem com as condições parcas de equipamentos, patrocínios, sparrings e a história que os profissionais do meio e fãs conhecem.

Valuev supera Ruiz por cinturão


Gigante Russo derrota americano com jabs de esquerda

Pela segunda vez Nikolai Valuev supera John Ruiz, porém por decisão unânime. A conquista lhe rende o cinturão interino dos peso-pesados da Associação Mundial de Boxe. O combate ocorreu na madrugada de 31 agosto na Max Schmeling Arena em Berlim, Alemanha.

As papeletas no início indicavam decisão dividida, porém foram revertidas todas a favor do europeu. Tudo ocorreu por uma alteração na ordem dos nomes como informou para a ESPN o árbitro japonês Takeshi Shimakawa. A pontuação foi 116-113, 116-111 e 114-113.

A decisão não agradou Ruiz que alega: “Eu pensei ter ganho a luta. Não sei o que rolou com as papeletas”. Outros que não se mostraram satisfeitos com o resultado foram membros da platéia que vaiaram a decisão dos árbitros.

Valuev no combate colocou algumas direitas fortes, porém foi balançado pelo mesmo golpe do adversário no segundo round. O resto da luta optou na maior parte pelo jab de esquerda para manter distância. Seus 2,13m garantem um alcance mais que suficiente para isso. O russo estava mais seco e ágil, resultado de alterações nos seus treinos e dieta.

O campeão do cinturão Ruslan Chagaev era quem deveria ter encarado Valuev, porém está em recesso devido problemas com o tendão de Aquiles. O boxeador brasileiro Raphael Zumbano acompanhou o sofrimento do pugilista já que estava no seu quadro de sparrings.

Agora os fãs podem esperar um novo combate entre Chagaev e Valuev no futuro, no embate anterior em abril de 2007 o primeiro saiu vitorioso.

foto: Nikolai Valuev e cinturão da WBA / Reuters

domingo, 17 de agosto de 2008

Por que gostamos de Rocky?


O jeito dócil, a cara ingênua, a fala débil, o carisma e principalmente a obstinação fazem de Rocky Balboa um dos personagens mais queridos e memoráveis da cultura mundial. O atleta foi escolhido o sétimo melhor herói do cinema americano pela American Film Institute, dentro de 50 nomes, tendo superado personagens como o Superman.

Converso com competidores de vale-tudo, judô, wrestling, boxe e kickboxing e muitos citam o pugilista da Filadélfia como seu símbolo. Também revelam possuir em sua coleção de DVDs pelo menos um dos seis capítulos da saga.

No fundo, muitos querem se sentir como o Garanhão Italiano. Quando vão fazer exercícios, mesmo não sendo artes marciais, o tema "Gonna Fly Now!" toca em Ipods, MP3 e academias de ginástica.

Através de seus filmes, Stallone cria um conto de fadas no qual a perseverança ante o sofrimento faz emergir o herói, e os lutadores estão habituados a passar por essas surras da vida; como quando o técnico e figura paterna falece, quando perdemos a confiança em nós mesmos após um nocaute ou quando queremos provar para nós que somos capazes de ir até o final, independentemente de perder o vencer.

Enfim, o atleta do século XX nos cinemas é o bi-campeão mundial Rocky Balboa.

Gonna Fly Now

sábado, 12 de julho de 2008

Zanza, um modelo de atleta

21% das mulheres negras são empregadas domésticas e apenas 23% delas têm Carteira de Trabalho assinada; 46,27% das mulheres negras nunca passaram por um exame clínico de mama; a renda média mensal das mulheres negras no Brasil, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, do IBGE em 2003 mostrava que elas recebiam R$ 279,70 enquanto as brancas lucravam R$ 554,60. Esses dados estão no Retrato de Desigualdades de gênero e raça do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Em uma nação que segrega seus filhos pelas origens Rosangela Conceição venceu num dos esportes mais masculinos, a luta olímpica e sua vitória é tão estrondosa que foi a única atleta a se classificar aos Jogos Olímpicos de Pequim.

Em 17 de dezembro do ano passado ela recebeu o Prêmio Brasil Olímpico como melhor atleta de luta pelo além de meses antes ter conquistado sua medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio.

Enquanto seguiam as competições era notável ver o destaque que a mídia especializada dava para suas contrapartes masculinas, enquanto pouco se falava de Zanza. Talvez se ela tivesse aquele biótipo para estampar as capas de revistas com ensaios fotográficos de nus artísticos os fãs saberiam mais de sua história.

Através das suas vitórias Zanza quebra diversos paradigmas embutidos na mulher brasileira pela opinião pública, basta agora só nós vermos.



Entrevista para emissora gaúcha

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Córner do Leão volta

Caros Leitores

O Córner do Leão voltou e está no site Portal das Lutas.
Agora será mensal, pois assim fica de acordo com as minhas outras atividades sem me prejudicar.

O link do site:

Portaldaslutas.com

O artigo:

http://portaldaslutas.com/Colunista.asp?p_opcao=COL

Abraços