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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
O boxe no Terceiro Tempo
O veterano jornalista Milton Neves é referência no jornalismo esportivo, principalmente futebol, e um dos que batalham para manter a memória esportiva. Na última semana decidiu abrir espaço para o boxe e outras lutas em seu portal Terceiro Tempo.
Terça-feira (22/08) iniciei uma coluna no Terceiro Tempo na qual escreverei sobre pugilismo e outras artes de combate esportivo o que denota o interesse maior que essas modalidades ganham junto a sociedade. O esforço de muitos abriu mais um espaço para se falar de lutas, para ser sincero um grande e reconhecido espaço.
O texto de abertura é uma crônica sobre o argentino Carlos Monzón que irá para sessão "Que fim levou?", onde estão os atletas que fizeram história.
Para acessar e ler o texto sobre Monzón no Terceiro Tempo clique aqui
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Carlos Monzón, o apaixonante anti-herói das matinés
Carlos Monzón / (foto: reprodução)
"Carlos Monzon não era um daqueles manequins com um nariz que se pode pendurar seu chapéu, na verdade, ele tinha o jeito discreto de um ídolo de matinés, daqueles com sobrancelhas delicadas, nenhuma marca no rosto e um corpo trabalhado que poderia servir de modelo para fotos de homens "colírios" em revistas de garotas. E ele lutava da mesma maneira, com uma suavidade e frieza de gelo derretendo, seu estilo era um cruzamento de agressividade cautelosa e cautela agressiva. Com uma longa direita arremessada por garantia", assim o jornalista americano Bert Sugar (1937-2012) define o pugilista argentino Carlos Monzón (1942-1995) em seu livro The 100 Greatest Boxers of All Time (1984). O sul-americano completaria hoje 70 anos.
"Monzon, quem é você?" indagava o jornal italiano Corriere dello Sport quando o campeão sul-americano dono do calção com a inscrição "Fernet Branca" desafiou o italiano Nino Benevenuti pelo cinturão mundial em posse do europeu. O embate foi no Palazzetto dello Sport, em Roma, Lazio, no país do rival, em 1970.
Carlos Monzón (esq.) e Amilcar Brusa (dir.) / (foto: reprodução)
Monzón subiu ao ringue como azarão nas apostas em 3-1, e respondeu a pergunta dos cronistas esportivos europeus e dos apostadores da forma que sabia e já conhecida pelo povo sul-americano, com seus ágeis e elegantes punhos.
Conquistou o trono dos médios da Associação Mundial de Boxe (AMB) e Conselho Mundial de Boxe (CMB) além de luta do ano pela bíblia do boxe Ring Magazine com um golpe no queixo do pugilista residente e a audiência se fechou em silêncio e espanto.
Antes dessa noite tivera duras provações na carreira, tendo perdido três combates, um deles para o espanhol radicado brasileiro Felipe Cambeiro. Todos revezes foram vingados de forma que Monzón se tornou um dos principais nomes da região sul do continente americano.
"Monzon, quem é você?" - Corriere dello Sport
"Monzón é o lutador completo. Consegue boxear, consegue bater pesado, consegue pensar e é jogo pra qualquer hora", declarou Angelo Dundee após o argentino bater José "Mantequilla" Nápoles em fevereiro de 1974 em apenas seis rounds valendo suas coroas.
Nos ringues o reinado durou 7 anos e 14 defesas, Benvenuti em revanche perdeu por nocaute técnico no terceiro round e além do italiano e de Nápoles grandes nomes não resistiram à força inteligente do argentino como o americano Emile Griffith e o colombiano Rodrigo Valdéz, este só conseguiu a coroa após o rei deixar o trono em 1977.
Carlos Monzón no lançamento de El Macho em setembro de 1977 em Paris, França / (foto: reprodução)
Enquanto mantinha o sucesso no ringue e as señoritas na alcova estrelou La Mary (1974), película de seu país dirigida pelo franco-argentino Daniel Tinayre. Depois veio El Macho (1977), um western-spaghetti. A vida de estrela era diferente do início humilde no tradicional Luna Park ao lado do técnico, maestro e mentor Don Amilcar Brusa (1922-2011).
O apelido Escopeta servia pelo estrago que fazia nos tablados, mas também pode aludir a vida louca e barulhenta que tinha fora deles. A personificação do amante latino e do macho sul-americano, Monzón teve quatro esposas e muitas companheiras, mulheres da Sociedade do Espetáculo. A maioria o acusou de violência doméstica. Também agrediu um paparazzi.
"Cuatro veces me casé y cuatro veces me equivoqué. Nunca tendría que haberme casado", disse Monzón sobre sua vida amorosa. Foi amigo de Mickey Rourke e Alain Deloin, mas acabou deixando falsas amizades se aproximar, uma delas o álcool em excesso.
Destrutivo como um tiro de calibre 12
Após o sucesso nos ringues, a vida pessoal há tempos amargava em knockdowns. A esposa Susana Giménez o deixou em 1978, na época era atriz e co-estrelou La Mary, hoje é uma das principais celebridades do país portenho e apresentadora de talk-show. Os casos de violência no lar dos Monzón já era público.
O célebre ex-pugilista se uniria a modelo uruguaia Alicia Muñiz um ano depois. Seus demônios o consumiram mais uma vez, os casos de espancamentos eram conhecidos pelos fãs argentinos, muitos relevavam por ser alguém que lhes trouxe diversas alegrias e esperavam que um dia abdicasse deste comportamento.
O corpo de Alicia foi arremessado do segundo andar do resort em Mar del Plata que passavam as férias em 1988. Após uma discussão Monzón a agrediu, estrangulou e a atirou pela sacada. No ano seguinte foi condenado à 11 anos de cárcere. Para o povo era "campeón", para a Lei e Justiça "asesino".
O lendário pugilista recebera um final de semana de indulto para visitar sua família e filhos, porém sua história foi interrompida antes do momento de redenção. No dia 8 de janeiro de 1995, enquanto dirigia para o encontro de seus amados, sofreu acidente automobilístico fatal.
Carlos Monzón / (foto: reprodução)
"Dale Campeón" (Vá Campeão), cantou uma multidão no funeral do ídolo argentino e um dos maiores lutadores de todos os tempos. Monzón deixa um legado em filmes, videogames, fotos, livros e outras fontes com 87 vitórias, sendo 59 por nocaute, 3 derrotas e 9 empates. Foi um pugilista de um período mais árduo e de um jogo mais honesto. Um confuso, mas amado herói de matinés da vida real que viveu à sua maneira.
Funeral de Carlos Monzón em 1995 / (foto: reprodução)
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Felipe Cambeiro colocou Carlos Monzon três vezes na lona e o derrotou
Felipe Cambeiro / (Foto: Arquivo Kaled Curi / Sidnei Dal Rovere)
Foram três quedas, o público no Auditório da extinta TV Rio, no Rio de Janeiro, é possível dizer que muitos dos ali presentes e nem alguns espectadores não imaginavam o que significava aquela vitória por pontos do espanhol naturalizado brasileiro sobre o argentino Carlos Monzon que fora dominado tão intensamente como nunca havia sido ou fora depois.
Monzon tivera mais duas derrotas em sua jornada, uma antes e outra depois daquela de 28 de junho de 1964, porém foi a força dominante de sua divisão, a dos médios, e é considerado por críticos um dos maiores nomes de todos os tempos. O "Escopeta" deixou uma trilha de nocautes pelos ringues que passou e cenas plásticas.
Quando bateu o argentino, Cambeiro já estava há sete temporadas nos ringues profissionais e trinta e oito vitórias, nove derrotas e quatro empates. O reencontro ocorreu em 1965, e Monzon devolveu-lhe o revés para então partir à conquista do título mundial.
Pode ser dito que o hispano-brasileiro ajudou a moldar o histórico campeão que se tornou Monzon ao superá-lo de forma tão impactante e ao mesmo tempo com isso gravou seu nome, Felipe Cambeiro, na história do esporte latino.
Colaborou: Sidnei Dal Rovere
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A nobre arte deve muito a Don Amilcar Brusa
Amilcar Brusa / (Foto: Ag. Internacional)
Na sua nativa Santa Fe em 1950 começou a treinar campeões, e
treze anos depois foi procurado por um jovem de rosto rústico, mas belo, que
seria rei do mundo, Carlos Monzon. O galã platino se tornou o principal nome do
boxe de seu país, e ambos ajudaram a criar uma verdadeira nação de campeões e
gladiadores.
Brusa foi mentor de 14 campeões mundiais
Brusca com seu olhar sábio e apurado treinou outros talentos
de seu país e da América Latina como os campeões mundiais Carlos Manuel Baldomir, Jorge Rodrigo “La
Hiena” Barrios, Juan Domingo Cordoba, Miguel Angel Cuello, Antonio Esparragoza,
Miguel Lora, Carlos Alverto Hernandez, Thomas Molinares, Eduardo Batolome
Morales, Raphael Pineda, Sugar Baby Rojas, Francisco Tejedor e Robinson
Pitalua.
São homens como Brusca que se dedicam ao bem do próximo e ao
desenvolvimento não apenas de uma nação, mas do ser humano em suas áreas de
conhecimento. Peço desculpa aos amigos argentinos que visitam este espaço por não ter escrito nada naquele triste dia.
Amilcar Brusca (esq.) e Carlos Monzon (dir.) / (Foto: Arquivo Ag. Internacional)
Trailer de "El hombre de los guantes":
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