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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carmen Basilio falece e deixa legado no boxe

Gen. Douglas McCarthur, Angelo Dundee, Carmen Basilio e Ernest Hemingway após a vitória sobre Sugar Ray Robinson em 1957 / (foto: Boxing Legends of All Time)

Hoje o mundo se despediu do lendário pugilista Carmen Basilio, o pugilista tinha 85 anos e foi campeão dos meio-médios e dos médios e apesar de alcançar o olimpo esportivo jamais esqueceu de sua origem humilde de agricultor numa fazenda de cultivo de cebolas em Canastota, Nova York, nos EUA.

Nascido em 2 de abril de 1927, entrou para o pugilismo profissional em 1948, 5 anos depois após superar Lew Jerkins, Ike Williams e Billy Graham disputou seu primeiro cinturão mundial, derrubou Kid Gavilan no segundo assalto, mas o campeão se recuperou e manteve o trono dos meio-médios com o resultado de decisão dividida após 15 assaltos.

Em 1955, Basilio teve sua segunda oportunidade pela coroa dos meio-médios contra Tony DeMarco e após árdua trocação de golpes, o ex-fazendeiro faturou o prêmio máximo depois de 12 rounds com um nocaute técnico. Em novembro da mesma temporada foi a revanche, Basilio sofreu duros golpes no 7º assalto, mas virou a luta e venceu novamente por nocaute técnico, mas dessa vez o embate foi 2 segundos mais longo.

Basilio se despediu de sua coroa após uma má atuação de 15 rounds diante de Johnny Saxton no ano seguinte, mas a recuperou em setembro do mesmo ciclo com nocaute técnico no 9º giro. No ano seguinte nocauteou o mesmo rival  no 2º round no tira-teima.

Com um nocaute no 4º assalto em cima de Harold Jones desafiou o campeão dos médios Sugar Ray Robinson e no dia 23 de setembro de 1957, mesmo pesando menos, com menor estatura e alcance superou o americano considerado o melhor de todos os tempos por muitos cronistas.

Foi a luta da vida do menino de Canastota que apesar de sair com um corte profundo sobre sua sobrancelha esquerda aguentou os trancos de Sugar Ray e com seu gancho de esquerda na mandíbula, seu melhor golpe,  obteve a vantagem para colocar o campeão nas cordas com dois socos no 11º round.

As mãos de Basilio foram erguidas, depois ele próprio pelo General Douglas McArthur, o treinador Angelo Dundee e o escritor Ernest Hemingway neste momento guardado na foto acima os olhos de Basilio são os daquele que viu as estrelas.

O rosto do campeão levava mais pontos que uma colcha de retalhos, eram as marcas das batalhas épicas vividas, pois em todas ele se jogava sem medo dos desafios, num período que pugilistas queriam enfrentar os melhores para confirmar sua dominância no habitat. 

Sugar Ray Robinson retomou a coroa em 1958 após 15 rounds deixando o olho esquerdo de Basilio fechado, mas das 198 lutas de Sugar Ray só 19 homens o derrotaram e Carmen Basilio cravou seu nome entre eles assim como sua entrada no Hall da Fama e o tricampeonato mundial tendo ao todo 56 vitórias, 27 por nocaute, 16 derrotas e 7 empates, ele é de uma era quando os pugilistas eram os maiores astros esportivos.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Falece lenda do boxe Angelo Dundee aos 90 anos

Angelo Dundee / (Foto: AFP / Getty Images / Jed Jacobsohn)

Treinador trabalhou com Muhammad Ali e Sugar Ray Leonard

Na noite desta quarta-feira faleceu o lendário técnico de boxe Angelo Dundee aos 90 anos na cidade de Tampa, Flórida, nos E.U.A. O treinador trabalhou com lutadores históricos como Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard, George Foreman, Carmen Basilio e José Napoles, além de breve passagem com o brasileiro Maguila.

Foi córner de Ali durante quase toda sua carreira, mas não esquecia da sua família e era muito apegado à ela. "Ele morreu do jeito que queria. Ele fez tudo o que queria", afirma Jimmy Dundee, filho do treinador. Segundo o jornal Miami Herald, Dundee morreu após um ataque cardíaco depois ter sido internado pela formação de um coágulo.
Em 1994 entrou para o Hall da Fama do Boxe Internacional após encerrar uma carreira que se estendeu por seis décadas, no córner é tido como estrategista de alta inteligência e grande motivador além de divulgar a nobre arte no mundo.

A sua relação mais memorável foi a com Muhammad Ali tendo o conduzido aos três cinturões dos pesados e ainda esteve nas épicas lutas contra George Foreman no Zaire em 1974 chamada "Rumble in the Jungle" e a terceira contra Joe Frazier nas Filipinas, o "Thrilla in Manilla".

A parceria de Dundee com Ali começou em Louisville, cidade natal do ex-pugilista, ainda em 1959. O técnico estava no local com o lendário meio-pesado Willie Pastrano e recebeu o um pedido do jovem Cassius Clay, nome de batismo de Ali, para conversar durante cinco minutos num "papo" que se estendeu por três horas e meia.

Em 1960 o mundo conhecia o talento de Muhammad Ali com a conquista do ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, e ao regressar para os E.U.A Dundee o convidou para treinar em Miami, o herói olímpico recusou, mas após sua primeira vitória como profissional foi treinar com o sonhado mentor após um de seus agentes intermediar a reaproximação por telefone.

Sob a tutela de Dundee, Ali conquistou o títulos dos pesados em 25 de fevereiro de 1964 sobre o temido Sonny Liston no 6º round. Os dois se tornariam uma das maiores, senão a maior, parceria entre técnico e atleta.

Muhammad Ali (esq.) e Angelo Dundee (dir.) / (Foto: AP)

Fora do ringue o que se via era a dedicação de um pai com seu filho. Quando Muhammad assumiu a fé muçulmana e se recusou a combater na Guerra do Vietnã, porque nenhum deles o chamara de "crioulo", Dundee não se manifestou adverso e esperou o pupilo retornar de uma suspensão de três anos e meio do pugilismo. Mês passado esteve na festa de 70 anos de Ali.

Nascido em 30 de agosto de 1921 na Filadélfia e batizado Angelo Mirena, a carreira foi impulsionada pelo irmão mais velho, o promotor de lutas Chris.

Dundee combateu por seu país na Segunda Guerra Mundial e então se uniu ao irmão em Nova York tendo adotado outro nome, Dundee, para seus pais não descobrirem seu verdadeiro trabalho.

No filme A Luta pela Esperança (Cinderella Man, 2005) aparece no córner do ex-campeão mundial dos anos 1940, James J. Braddock interpretado por Russell Crowe (Gladiador) e participou da preparação do ator para as cenas de luta. No filme Ali (2001) com Will Smith representando seu pupilo também atuou nos bastidores nas cenas de boxe.

Fonte: Terra.