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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um mês sem Abraham Katzenelson, lenda do boxe brasileiro

Abraham Katzenelson / (foto: Felipe Denuzzo)

Dia 14 de setembro o empresário Abraham Katzenelson faleceu aos 95 anos de pneumonia na capital de São Paulo. O homem de negócios guiou Éder Jofre ao seu primeiro cinturão mundial, o dos galos em 1960, que também foi a primeira conquista desta escala de um brasileiro.

O lituano viveu na Argentina até 1952 quando veio para o Brasil. Nos últimos anos mantinha uma academia improvisada em uma "edícula  de seis mestro quadrados nos fundos de uma clínica em que são feitos exames médicos para se tirar carteira de motorista no bairro de Santa Cecília", conforme publicou o jornalista Eduardo Ohata da Folha de S. Paulo sobre o ancião manager.

No perfil "De terno, gravata e bengala, ex-manager busca novo Eder Jofre em São Paulo", Ohata contou em 2009 a história do senhor e da casa em que trabalhava a nobre arte. O imóvel ainda é mantido por seu filho Mauro Katzenelson que também atua como manager.

A casa já serviu de alojamento para os ex-desafiantes à cinturões mundiais Peter Venâncio e Giovanni Andrade, nos anos 1970 foi a firma de boxe Bel-Box, que tinha como um de seus sócios Abraham Katzenelson, também já foi pizzaria com decoração temática de pugilismo.

"Ele foi o maior promotor de boxe que o Brasil já teve. Colocou em 1961 15 mil pagantes no ginásio do Ibirapuera batendo o recorde de bilheteria dos esportes em São Paulo que só foi superado dois anos depois num jogo Corinthians x Palmeiras", conta Sidnei Dal Rovere que disputou o cinturão mundial dos super-penas por meio dos contatos do empresário.

Além de Jofre, Dal Rovere, Venâncio e Andrade outros lutadores brasileiros foram guiados por ele e até disputaram cinturões como José de Paula, Raimundo de Jesus e José Severino. Também trabalhou com ele o argentino Juan Diaz e o último boxeador em suas mãos foi o cearense Joaquim Carneiro.

Joaquim Carneiro (fundo) e Abraham Katzenelson (frente) / (foto: Leonardo Wen)
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Juan Diaz é recebido com homenagem na Argentina

Juan Diaz / (imagem do jornal argentino Cronica)

O professor de boxe e ex-pugilista profissional argentino radicado brasileiro Juan Diaz, 51, foi homenageado na Patagônia, na província de Chubut, da qual é oriundo, nos Jogos Evita 2012 sediados no Club Huergo no dia 14 deste mês, que também é dia do boxeador.

Juanito Diaz (25-8-1, 19 KO's) pendurou as luvas definitivamente ano passado após nocautear seu rival no 2º assalto. No auge foi conduzido pelo longevo empresário Abraham Katznelson que no passado trabalhou com o lendário Éder Jofre.

O argentino dividiu o ringue com o sergipano Adilson "Maguila" Rodrigues, o americano Larry Donald e o russo Denis Boytsov. Atualmente Juanito leciona a nobre arte na ID Academia em São Paulo e mantém um grupo que leva seu nome. No amadorismo foi campeão argentino e sul-americano e representou seu país nos Jogos Olímpicos de Séul 1988.

A iniciativa partiu do dirigente esportivo Lucio Rodriguez junto com o dirigente titular Ricardo Fueyo do Club Huergo, onde será feita a homenagem. Juan mesmo há tantas temporadas no Brasil é uma figura muito querida em seu país dado o seu carisma e defesa do boxe como esporte de competição e também voltado para educação e recreação.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Juan Diaz fala de seu amor ao Brasil e sua despedida dos ringues


Juan Diaz / (Foto: Arquivo Pessoal)


Juan Antonio Diaz é um dos principais treinadores de boxe do país, tendo se estabelecido em São Paulo, após deixar a argentina. No passado também foi nome cotado entre os pesados da América do Sul tendo encarado Maguila em duas oportunidades, na primeira perdeu – válida pelo título sul-americano dos pesados - e na segunda empatou.

Com um cartel de 24 vitórias, 18 nocautes, 8 derrotas e um empate, Diaz que não luta há mais de 3 anos prepara o sua despedida para dia 3 de dezembro na ID Academia na qual leciona a nobre arte em uma rodada de boxe profissional.

Fale do seu início no boxe:

Comecei em 1980 com 18 anos com o campeonato Inter Academias e o Campeonato de bairros e na sequência vieram campeonatos com mais expressão como o Estadual, Regional, Nacional, Sul-americano, Pan-americano, Mundial e Jogos Olímpicos de 1988.

Quais as diferenças do tratamento dado ao boxe na Argentina e no Brasil?

A diferença é que na Argentina o boxe é tão popular quanto o futebol é no Brasil.

Explique o termo “escola de boxe” e como ela é desenvolvida na Argentina:

A função da Escola de Boxe na Argentina é formar um profissional. Passando para esse atleta todos os fundamentos e técnicas necessárias para sua formação. O aluno pode ingressar na escola de boxe aos 12 anos e ir desenvolvendo o trabalho ao longo dos anos até estar apto a se tornar um profissional.
Existe escola de boxe no Brasil?

Sim existe, mas não nesse formato Argentino. No Brasil temos uma predominância do boxe recreativo e as academias fazem um trabalho muito bem nesse sentido.

Como foi sua luta com Maguila em 1992?

Em 1992, eu estava invicto por 8 lutas e perdi para o Maguila (por pontos) o titulo Sul Americano em 12 rounds. Depois tive a oportunidade de lutar com ele novamente em 1999.

Sua última grande luta foi em 2007 na Alemanha contra o russo Denis Boytsov que foi apontado vencedor por pontos. O que lembra daquele combate?

Denis tinha um cartel muito bom e estava invicto muito tempo, porém ficou muito cansado quando chegou no sexto round então encerramos a luta a pedido deles. Mas devido a um patrocínio forte que ele tinha na época decidiram, por pontos, que ele era o ganhador.

Você já foi vítima de preconceito por ser argentino? E na Argentina isso ocorre com os brasileiros?

Nunca sofri preconceito aqui, pelo contrário sempre fui muito bem recebido! Na Argentina todos os grandes atletas brasileiros de todos os esportes são reconhecidos e respeitados.

Por quê decidiu fazer seu último combate? Por quê no Brasil e não na Argentina?

Acho que por uma questão idade e temos que saber a hora de parar. E comecei na Argentina e resolvi encerrar no Brasil, país que me acolheu tão carinhosamente e aonde tenho minha família.

 Empresário Abraham Katznelson (esq) e Juan Diaz (dir.) / (Foto: Arquivo Pessoal)