21% das mulheres negras são empregadas domésticas e apenas 23% delas têm Carteira de Trabalho assinada; 46,27% das mulheres negras nunca passaram por um exame clínico de mama; a renda média mensal das mulheres negras no Brasil, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, do IBGE em 2003 mostrava que elas recebiam R$ 279,70 enquanto as brancas lucravam R$ 554,60. Esses dados estão no Retrato de Desigualdades de gênero e raça do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Em uma nação que segrega seus filhos pelas origens Rosangela Conceição venceu num dos esportes mais masculinos, a luta olímpica e sua vitória é tão estrondosa que foi a única atleta a se classificar aos Jogos Olímpicos de Pequim.
Em 17 de dezembro do ano passado ela recebeu o Prêmio Brasil Olímpico como melhor atleta de luta pelo além de meses antes ter conquistado sua medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio.
Enquanto seguiam as competições era notável ver o destaque que a mídia especializada dava para suas contrapartes masculinas, enquanto pouco se falava de Zanza. Talvez se ela tivesse aquele biótipo para estampar as capas de revistas com ensaios fotográficos de nus artísticos os fãs saberiam mais de sua história.
Através das suas vitórias Zanza quebra diversos paradigmas embutidos na mulher brasileira pela opinião pública, basta agora só nós vermos.
Entrevista para emissora gaúcha
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sábado, 12 de julho de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
O Legado Roma

A ausência de Renato Roma abre portas para novos talentos do wrestling
Com a aposentadoria de Michael Schumacher o fã de F-1 pode ver a confirmação do talento de Fernando Alonso e Mika Raikkonen além da ascensão dos jovens Lewis Hamilton e Felipe Massa. O mesmo ocorrerá na luta olímpica brasileira em 2008 dentro da categoria até 74 kg estilo livre.
Na luta Renato Roma deixou as sapatilhas no tapete na seletiva nacional dos jogos Pan de wrestling com isso abriu vaga para Cláudio Calazans, atleta de muito talento dono de faixa-preta de jiu-jítsu e judô que ainda conta com muitos títulos dentro da arte suave.
Seu treinador Milton Bastos possui experiência com a luta e está moldando um dos melhores talentos na atualidade.
Outro nome que promete crescer é Fábio Neves, aluno de Edson Kudo que entre seus pontos positivos possui uma forte capacidade de explosão e flexibilidade. No ano passado enfrentou Calazans no paulista e acabou derrotado, mas pode sair campeão esse ano. Ambos são apenas dois talentos de São Paulo, há outros no resto do país, principalmente Rio de Janeiro.
A categoria até 74 kg é a mais disputada até mesmo pelo biótipo do brasileiro que não chega a ser franzino como o asiático e tampouco musculoso como o russo, por isso se concentra o maior número de atletas.
Com a ausência de Roma os atletas podem mostrar seu talento, mas essa mesma falta faz com que se perca um pouco do interesse, pois o penta-campeão brasileiro era o homem a ser derrotado.
Como diz o pro-wrestler Ric Flair: “To be the man you gotta beat the man” (Para ser o homem você deve derrotar o homem, em tradução livre).
Foto: Renato Roma nos Jogos Abertos do Interior 2007 / Arquivo Pessoal
quarta-feira, 5 de março de 2008
Jaoude Bros
Irmãos wrestler trazem mais duas medalhas para o Brasil
Depois dos bronzes de Rodrigo Artilheiro e Rosangela “Zanza” Conceição, foi a vez dos irmãos Jaoude subirem ao pódio. Antoine faturou a prata e Adrian mais uma de bronze o que colocou a equipe verde e amarela no quarto lugar do Pan-Americano de Luta Olímpica realizado em Colorado Springs no final de semana.
Os três primeiros são E.U.A, Cuba e Canadá, e é visível a evolução se comparar com o resultado do ano passado. Antoine lutou acima da sua categoria de costume conforme informa o site Portal das Lutas, venceu o mexicano radicado nos E.U.A Larry Langdowski e foi superado na final pelo estadunidense Tommy Rowlands. Seu irmão mais novo não chegou a disputar o bronze em razão de uma lesão sofrida pelo cubano Reineiri Sala.
Antoine não tem mais nada para provar dentro do cenário nacional de wrestling, já que se mostra uma força dentro do tapete olímpico, mas Adrian era sempre lembrado por ser “o irmão do Antoine”. Mesmo que a medalha do jovem não tenha sido conquistada em combate vale ressaltar que este está conseguindo sair da sombra do irmão e buscando seu próprio espaço.
Foto: Antoine e Adrian Jaoude em ensaio artístico da Mineral Image sobre atletas dos jogos Pan-Americanos / por Guilherme Cunha, Rodrigo Mendes e Daniel Moreira
Adrian Jaoude x Marcos Poubel por X-COMBAT
segunda-feira, 3 de março de 2008
Avante lutadores!

Zanza e Artilheiro são bronze em pan-americano nos E.U.A
Dois dos principais nomes do wrestling nacional medalharam na competição realizada em Colorado Springs. Rodrigo Artilheiro vem sendo treinado por europeus no CT do Minotauro e apresentou visível evolução desde o Pan do Rio que conseguiu impor no Pan da modalidade.
Zanza é um caso que rende um filme, treina luta olímpica em um país machista, não obteve sucesso no judô e não tem um salário condizente com sua posição de representante do país, tudo para uma história de drama nos cinemas, mas assim como são os campeões ela se superou e mostrou que o seu bronze tem gosto de ouro.
Acompanho seus treinos e em algumas oportunidades fui seu sparring, realmente é difícil ver alguém tão dedicado é ao wrestling. Todo o seu esforço combinado e daqueles a sua volta como o preparador físico Zequinha Barbosa mostram porque ela é atleta de luta olímpica conforme apontou o prêmio Brasil Olímpico.
Parabéns Zanza e Artilheiro.
sábado, 1 de março de 2008
Entrevista Alexandre He-Man

Alexandre He-Man possui um respeitável currículo no mundo das lutas como um dos principais expoentes no ensino de luta olímpica na região sul do país. Suas técnicas já foram demonstradas por nomes como Wanderlei Silva nos ringues do Pride.
Em entrevista He-Man fala de sua vitória dentro do submission, suas verdadeiras possibilidades no mercado do vale-tudo e os grupos skinheads que se fortalecem no país.
Você andou um período afastado das competições. Ao que se deve essa ausência?
Em 2006 fiz minha última luta num campeonato estadual de jiu-jítsu, foi uma experiência muito interessante competir numa arte marcial tão poderosa e tão difundida mundo afora que é o nosso Brazilian Jiu Jitsu. Foi num período onde eu estava dando menos aulas e pude me preparar para a competição. Logo após voltei as minhas atividades normais, acrescentando a criação do evento chamado Curitiba Top Fight, juntamente com o professor Paraná, comecei a dar aulas em outros pontos da cidade e também tentando desenvolver meu projeto social de luta olímpica para crianças carentes. Tudo isso tomou todo meu tempo e não pude treinar adequadamente para nenhuma competição neste período.
Como surgiu a oportunidade de lutar submission?
Surgiu a convite de um amigo pessoal que é o atleta Marcelo Brito quando estávamos numa praia de Santa Catarina no carnaval, aproveitando que estaria de férias em algumas turmas q dou aula, usei este tempo para me preparar. Eu tinha muita curiosidade de lutar submission para sentir as dificuldades e técnicas desta luta. Então não desperdicei a oportunidade.
Quais foram as dificuldades que encontrou para derrotar Michel no evento de submission da Thai Brasil?
O Michel é da nova geração de uma equipe tradicional de Curitiba que é a Bit, e o professor Dias traçou uma estratégia muito boa para ele evitar minhas quedas, então a luta se desenrolou no solo, e logo no inicio do combate ele puxou para guarda e eu encaixei uma chave no pé, naquele momento achando que iria finalizar a luta, dei todo meu gás nesta investida, mas estávamos suados e ele conseguiu escapar, então foram 6 minutos de batalha no chão, onde consegui passar a guarda duas vezes e vencer por pontos.
O oponente era mais novo. Isso pesou no combate?
Eu penso que não pesou tanto, pois naquela hora o que mais vale é a preparação física, tática e psicológica, e isso independe da idade. Mas com certeza este atleta tem um futuro muito grande pela frente e ainda vai dar muito trabalho.
Você pretende voltar ao circuito?
Bom, pra responder esta pergunta eu vou usar esta frase:
“Alguns homens lutam um dia e são bons;
outros lutam um ano e são melhores;
os que lutam vários anos são ótimos;
mas os que lutam a vida toda...
...esses são imprescindíveis."
(Bertolt Brecht)
Pensa em estrear no vale-tudo?
Sempre existe aquela curiosidade de como me sairia numa luta de vale-tudo, e de experimentar toda a preparação, treinamento, tática, etc. Mas o vale-tudo não é simplesmente uma luta de submission, wrestling, ou boxe. Ele exige muito mais do atleta, por ser um misto de artes marciais, e por isso mesmo merece mais tempo e mais dedicação na preparação. Mas eu não descarto esta hipótese, se tiver uma boa oportunidade com certeza não desperdiçarei.
Como são os treinamentos na Noguchi?
Os treinamentos são diários e muito puxados. Todo dia pela manhã tem o treino de vale-tudo, e 3 vezes por semana de manhã tem o treino de jiu-jítsu com o Marcos Schubert da Gracie. A tarde fica para treinos de musculação e muay thai. A noite treinos de vale-tudo, submission e wrestling comigo. O muay thai é o carro-chefe da equipe Noguchi, por isso tem treinos a qualquer hora do dia.
O que acha da situação do wrestling pós-Jogos Pan-Americanos Rio 2007?
Os jogos Pan-Americanos deram uma excelente divulgação ao wrestling e principalmente aos atletas que conseguiram medalhas. Mas logo após o final dos jogos a atenção da mídia se voltou para os esportes mais visados no Brasil, que são o futebol, vôlei, etc., deixando de lado nossa luta olímpica. Esperamos mais um sopro de divulgação com os Jogos Olímpicos e mais atenção e investimentos por parte da iniciativa privada.
Você leciona em cidades de Santa Catarina e Paraná na região sul do país. Essa mesma área apresenta problemas com grupos de skinheads neonazistas. Algum já o procurou para dar aulas?
A maior concentração de “skins” é no Rio Grande do Sul, e realmente ocorreu de um grupo de uma cidade do interior ter entrado em contato comigo, e perguntando sobre a possibilidade de eu ensinar algumas técnicas de wrestling para eles. Por curiosidade o valor por eles oferecido era dez vezes maior do que o valor que normalmente eu cobraria. Mas tem coisas que o dinheiro não compra, e por não concordar com a ideologia deste grupo, optei por não aceitar o trabalho.
Em sua opinião quais são os danos que eles causam para a sociedade?
Toda forma de racismo, ou preconceito é prejudicial à uma sociedade, e nós não podemos dar armas e subsídios para que estes grupos se tornem mais fortes e mais nocivos à liberdade de raça, credo, cor, opção sexual e social.
Foto: Alexandre He-Man (azul) x Michel / 1º Round
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