sábado, 1 de março de 2008

Entrevista Alexandre He-Man


Alexandre He-Man possui um respeitável currículo no mundo das lutas como um dos principais expoentes no ensino de luta olímpica na região sul do país. Suas técnicas já foram demonstradas por nomes como Wanderlei Silva nos ringues do Pride.

Em entrevista He-Man fala de sua vitória dentro do submission, suas verdadeiras possibilidades no mercado do vale-tudo e os grupos skinheads que se fortalecem no país.

Você andou um período afastado das competições. Ao que se deve essa ausência?

Em 2006 fiz minha última luta num campeonato estadual de jiu-jítsu, foi uma experiência muito interessante competir numa arte marcial tão poderosa e tão difundida mundo afora que é o nosso Brazilian Jiu Jitsu. Foi num período onde eu estava dando menos aulas e pude me preparar para a competição. Logo após voltei as minhas atividades normais, acrescentando a criação do evento chamado Curitiba Top Fight, juntamente com o professor Paraná, comecei a dar aulas em outros pontos da cidade e também tentando desenvolver meu projeto social de luta olímpica para crianças carentes. Tudo isso tomou todo meu tempo e não pude treinar adequadamente para nenhuma competição neste período.

Como surgiu a oportunidade de lutar submission?

Surgiu a convite de um amigo pessoal que é o atleta Marcelo Brito quando estávamos numa praia de Santa Catarina no carnaval, aproveitando que estaria de férias em algumas turmas q dou aula, usei este tempo para me preparar. Eu tinha muita curiosidade de lutar submission para sentir as dificuldades e técnicas desta luta. Então não desperdicei a oportunidade.

Quais foram as dificuldades que encontrou para derrotar Michel no evento de submission da Thai Brasil?

O Michel é da nova geração de uma equipe tradicional de Curitiba que é a Bit, e o professor Dias traçou uma estratégia muito boa para ele evitar minhas quedas, então a luta se desenrolou no solo, e logo no inicio do combate ele puxou para guarda e eu encaixei uma chave no pé, naquele momento achando que iria finalizar a luta, dei todo meu gás nesta investida, mas estávamos suados e ele conseguiu escapar, então foram 6 minutos de batalha no chão, onde consegui passar a guarda duas vezes e vencer por pontos.

O oponente era mais novo. Isso pesou no combate?

Eu penso que não pesou tanto, pois naquela hora o que mais vale é a preparação física, tática e psicológica, e isso independe da idade. Mas com certeza este atleta tem um futuro muito grande pela frente e ainda vai dar muito trabalho.

Você pretende voltar ao circuito?

Bom, pra responder esta pergunta eu vou usar esta frase:

“Alguns homens lutam um dia e são bons;
outros lutam um ano e são melhores;
os que lutam vários anos são ótimos;
mas os que lutam a vida toda...
...esses são imprescindíveis."

(Bertolt Brecht)

Pensa em estrear no vale-tudo?

Sempre existe aquela curiosidade de como me sairia numa luta de vale-tudo, e de experimentar toda a preparação, treinamento, tática, etc. Mas o vale-tudo não é simplesmente uma luta de submission, wrestling, ou boxe. Ele exige muito mais do atleta, por ser um misto de artes marciais, e por isso mesmo merece mais tempo e mais dedicação na preparação. Mas eu não descarto esta hipótese, se tiver uma boa oportunidade com certeza não desperdiçarei.

Como são os treinamentos na Noguchi?

Os treinamentos são diários e muito puxados. Todo dia pela manhã tem o treino de vale-tudo, e 3 vezes por semana de manhã tem o treino de jiu-jítsu com o Marcos Schubert da Gracie. A tarde fica para treinos de musculação e muay thai. A noite treinos de vale-tudo, submission e wrestling comigo. O muay thai é o carro-chefe da equipe Noguchi, por isso tem treinos a qualquer hora do dia.

O que acha da situação do wrestling pós-Jogos Pan-Americanos Rio 2007?

Os jogos Pan-Americanos deram uma excelente divulgação ao wrestling e principalmente aos atletas que conseguiram medalhas. Mas logo após o final dos jogos a atenção da mídia se voltou para os esportes mais visados no Brasil, que são o futebol, vôlei, etc., deixando de lado nossa luta olímpica. Esperamos mais um sopro de divulgação com os Jogos Olímpicos e mais atenção e investimentos por parte da iniciativa privada.

Você leciona em cidades de Santa Catarina e Paraná na região sul do país. Essa mesma área apresenta problemas com grupos de skinheads neonazistas. Algum já o procurou para dar aulas?

A maior concentração de “skins” é no Rio Grande do Sul, e realmente ocorreu de um grupo de uma cidade do interior ter entrado em contato comigo, e perguntando sobre a possibilidade de eu ensinar algumas técnicas de wrestling para eles. Por curiosidade o valor por eles oferecido era dez vezes maior do que o valor que normalmente eu cobraria. Mas tem coisas que o dinheiro não compra, e por não concordar com a ideologia deste grupo, optei por não aceitar o trabalho.

Em sua opinião quais são os danos que eles causam para a sociedade?

Toda forma de racismo, ou preconceito é prejudicial à uma sociedade, e nós não podemos dar armas e subsídios para que estes grupos se tornem mais fortes e mais nocivos à liberdade de raça, credo, cor, opção sexual e social.

Foto: Alexandre He-Man (azul) x Michel / 1º Round