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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Tyson fez ponta em filme para sustentar vício em drogas

Mike Tyson / Divulgação


Desde o documentário Tyson (2009), o ex-pugilista e lenda esportiva Mike Tyson tem revelado podres de sua vida particular. Nesta semana disse em entrevista à ESPN Radio de Las Vegas que participou do filme Se Beber, Não Case (2009) para suprir seu vício em drogas.

O americano agora afirma que sua investida nas artes cênicas é séria e leva uma vida regrada com alimentação vegetariana e um novo estilo de viver. Confira as declarações:

Se Beber, Não Case:

“Eu estava fazendo o filme para suprir meu vício nas drogas. Eu dizia 'Cara, isso vai ser incrível. Vamos vender tanto que até nas banquinhas da rua 42 vamos ver os vídeos piratas. Vamos ganhar muita grana com isso'. É o melhor que eu conseguia pensar com as drogas... Mas não foi só isso. Virou um sucesso internacional”.

Vegetarianismo:

“Eu virei um vegetariano. Nada de produtos vivos. Nada. Eu queria uma vida diferente, me sentia como se estivesse morrendo. Tive um incidente em que perdi minha filha de quatro anos em um acidente doméstico. Não queria mais viver. Então, para conseguir, eu tinha de mudar de vida. Vou mudar tudo o que não gostava em mim. Mudei tudo que era como um ser humano. Comecei esta jornada em outubro ou novembro. Não fumo mais. Meu problema não era com as drogas. Tinha um problema em pensar. E essa foi a solução, era só o modo como pensava nas coisas”.

Estilo de vida e mulheres:

“Eu apenas saia, sem me dar conta de quem era. Quando me dava conta, me diziam: ‘Ei cara, quando você vai pagar por essas garotas?’. Eu dizia, ‘Eu não tenho dinheiro, não tenho como te pagar’. Escute, eu sou Mike Tyson, uma estrela internacional, e estava roubando um traficante. O que aconteceu comigo? Com a minha vida? Agora minha vida pessoal é isolada. Não vou aonde não sou convidado. Eu gosto de ficar com minhas crianças e minha mulher. E isso é a única coisa que me prende ao chão”.

Família:

“Eles têm tudo a ver com isso. Eu não sabia o que era uma linha reta. Para mim, isso me lembrava cocaína. Era a única coisa que eu sabia. Mas ela (sua mulher) chegou e disse que queria um compromisso. Eu pensei que só ia transar com essas mulheres, ter filhos e cuidar deles deixando as de lado - processem-me, o que quiserem. Mas uma hora disse ‘vamos fazer isso’. E tomei a responsabilidade. Quando eu estou dedicado a destruir minha vida, ninguém pode me parar. Mas quando estou dedicado a fazer a coisa certa, ninguém pode me parar. Isso é o doentio em relação a mim”.

Boxe:

“Não considero fazer nada com o boxe. Não podia mais fazer nada. Estou petrificado. Não é mais o que sou”.

Obesidade:

“Era difícil limpar a bunda… Eu suava demais. Era insano. Todas as roupas que visto agora são de 15, 20 anos atrás”.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O boxe é uma analogia da vida


Para a intelectual Joyce Carol Oates, autora do livro "O Boxe" e vencedora de diversos prêmios Pullitzer, o pugilismo é uma metáfora da vida, em seu texto ela também concluí que o esporte está mais próximo de um acidente de trânsito do que para o lúdico visto em jogos de vôlei e futebol.

No ringue são visíveis aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos e para comparar a relação do boxe como um espelho da sociedade usarei alguns atletas como exemplo:

Jack Johnson foi o primeiro campeão mundial de boxe negro, seu reinado foi de 1908 até 1915. Saia com garotas brancas, gostava de carros velozes e festas, era o tipo de negro que os E.U.A não queriam. O antigo detentor do cinturão, o canadense Tommy Burns passou a ser visto como uma anomalia pelos brancos, pois para eles o lutador desgraçou sua raça.

A sociedade prendeu Jack por transportar uma branca de um estado para o outro, o que era proibido por lei, mas na verdade moça era sua esposa. Anos mais tarde, em 1946 para ser exato, o atleta morreu em um acidente automobilístico.

A história de Johnson mostra a raiz do racismo estadunidense e sobre essa situação uma frase lhe é atribuída: "Eles nunca me deixaram esquecer que sou negro, agora eu nunca deixarei que eles esqueçam que sou negro."

Em 1929 a terra de George Washington sofreu com a Quinta-feira negra, dia que marcou o Crash da bolsa de valores em 1929, o que veio após foi uma pobreza que parecia prestes a subjugar aquela que se tornaria a nação mais potente do mundo. Nesse cenário de larga pobreza surgiu o herói da classe trabalhadora, James. J. Braddock, o “Homem-Cinderela”.

O apelido lhe foi dado por um jornalista da época em razão do conto de fadas vivido pelo descendente de irlandeses que contava com mais de 20 derrotas em seu cartel e estava no limbo do esporte, porém mesmo assim obteve sua chance e derrotou o campeão Max Baer.

Joe Louis, o "Bombardeiro Marrom", foi o segundo negro detentor do boldrié mundial (1935-1949). Após Johnson perder o título para Jess Willard em 1915, a comissão esportiva criou políticas para que um negro nunca colocasse as mãos no título. James J. Braddock, o "Homem Cinderela" aceitou lutar contra o jovem de Louisville e com cláusula se caso o desafiante o derrotasse ele ter uma porcentagem de sua bolsa em todas as lutas.

27 anos após o reinado de um negro o Bombardeiro tem o direito de mostrar que não existe diferença de raças. Louis tinha que ser sempre bonzinho em público e para isso tinha diversas regras de conduta estabelecidas pela sua assessoria, entre elas nunca sair em fotos com mulheres brancas. Seu comportamento "exemplar" o fez ser respeitado até entre os racistas do sul estadunidense, entretanto, seu fiel séquito sempre foram os negros ainda segregados pelas leis estadunidenses.

A década de 60 ficou conhecida pelas ideologias, um período de hippies, guerra fria, movimento dos direitos civis e foi nela que Muhammad Ali iniciou sua trajetória. Ali antes chamado Cassius Clay possuiu três reinados entre a década de 60 e a de 70. “O Maior de Todos” como gosta de ser chamado defendia não só a segregação racial, mas também a soberania dos negros e isso incomodou demais a sua sociedade, com os anos ele abandonaria essas idéias, mas ainda continua um ícone para a raça negra e um porta-voz da humanidade.
Seus adversários eram vistos pela sociedade como capitães do mato que caçavam o negro fujão, ou esperanças brancas prontas para devolver o título de homem mais forte para os brancos.

Ali deu expressão para os negros e com o tempo passou a ser respeitado como um verdadeiro herói americano sendo retratado em filmes, livros, músicas, artes plásticas... tornou-se um símbolo cultural e histórico.

Mike Tyson mostra as mudanças vividas nas décadas de 80 e 90, tudo passou a ser rápido, a cultura do "fast food" e o estilo estético da MTV que preza o imediatismo conquistou os meios de comunicação e depois o estilo de vida americano que influencia o de diversas nações no mundo.

Qual a relação de Tyson com o imediatismo? Bom os fãs de Tyson querem tudo rápido, e se tem algo que ele fazia bem era entregar um nocaute na hora certa para eles.

Com o final da guerra do Vietnã o mundo ficou menos romântico, a ingenuidade foi quebrada e os heróis perderam o apelo. Basta ver que Wolverine atraí muito mais fãs que o Capitão América. Todas essas mudanças refletem em como Tyson pode ser admirado, um anti-herói.

E hoje qual campeão é a cara do período no qual vivemos tão segmentado e desunido. O nosso período não tem um grande campeão, mas sim vários em algumas oportunidades até quatro e outros chamados de interinos. O mundo hoje é confuso e difuso assim como o “quem é quem” do esporte de luvas.

Foto: Muhammad Ali e Joe Louis